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Homofobia, incesto e morte: 5 fatos sobre o caso de Barbara Daly Baekeland

Por não aceitar a orientação sexual do filho, a mulher violentou o garoto — que por sua vez teve sérios problemas psicológicos desencadeando em uma tragédia

Penélope Coelho Publicado em 03/09/2020, às 13h26

Barbara Daly Baekeland e seu filho Anthony
Barbara Daly Baekeland e seu filho Anthony - Wikimedia Commons

Nos últimos dias, o caso da deputada federal Flordelis dos Santos de Souza chocou o país, não só em decorrência das investigações que apontaram a mulher como participante na morte do marido, o pastor Anderson do Carmo, mas, também por revelações posteriores sobre sua família.

Conforme relatado pelo jornal Correio Braziliense, em entrevista a TV Globo, no dia 31 de agosto, uma testemunha que afirma ter morado na casa da pastora, disse que a mulher e seu marido mantinham relações sexuais com os próprios filhos, culminando um histórico de incesto. Ao todo, o casal tinha 55 filhos, entre biológicos e adotivos.

No passado, um caso semelhante aconteceu nos Estados Unidos, deixando a sociedade da época boquiaberta. É o caso de Barbara Daly Baekeland, socialite que tentou ‘converter’ a homossexualidade do filho através de um incesto, o que desenvolveu um enorme trauma no garoto, que acabou matando a própria mãe.

Pensando nisso, separamos 5 fatos sobre os horrores da norte-americana. Confira.

1. Histórico familiar

Nascida em 28 de setembro de 1921, em Massachusetts, Estados Unidos, Barbara Daly Baekeland gostava de esbanjar sua vida perfeita: uma jovem rica, bonita e que frequentava as mais requisitadas festas do país. Porém, a história de Barbara estava longe de ser aquilo que ela gostava de mostrar.

Na verdade, desde cedo ela conviveu com comportamentos problemáticos de sua família, que também reverberaram nela futuramente. Aos 10 anos de idade, a garota perdeu o pai que se suicidou em 1932.

Na ocasião, sua mãe já apresentava colapsos nervosos que pioraram consideravelmente após a perda. Mesmo com o baque, a família ainda tentou sair por cima e fingiram que o suicídio do patriarca havia sido um acidente, a fim de conseguirem dinheiro do seguro. O que de fato aconteceu. Com isso, Barbara se mudou com sua mãe para Nova York, onde se tornaria uma das 10 meninas mais bonitas da região, trabalhando como modelo e fazendo fortuna.


2. Persuasão

Na década de 1940, Daly conheceu Brooks Baekeland, um rico piloto em treinamento, o homem ficou seduzido pela beleza da jovem, mas, não pretendia se casar com ela, isso só aconteceu depois que Barbara afirmou que estava grávida.

As artimanhas para conseguir o que queria eram um traço forte na personalidade da socialite, que por sua vez, verdadeiramente engravidou de Brooks e no ano de 1946 deu à luz ao filho do casal, Anthony Baekeland.

Barbara e o filho Tony / Crédito: Wikimedia Commons

3. Preconceito

Durante a infância de Anthony seus pais viveram uma vida repleta de festas e traições, apesar do ambiente complicado, o menino não era poupado e estava sempre junto com eles, mesmo assim, o pequeno Tony era sempre deixado de lado sendo constantemente excluído pelo casal.

Isso só mudou quando o garoto cresceu e Barbara demonstrou não aceitar a orientação sexual do filho, ao descobrir que ele era gay. Seguida pelos instintos de seu preconceito, Daly achou que conseguiria ‘curar’ o filho, fazendo com que o menino fosse heterossexual.

Aos 20 anos de idade, Anthony passou a se relacionar com o australiano Jake Cooper, por quem se apaixonou. A mãe do menino tentou empurrar uma jovem francesa chamada Sylvie para o filho, além de incentivá-lo a sair com prostitutas na errônea tentativa de ‘mudar o garoto’. Contudo, a mulher foi além quando disse a seguinte frase para sua cunhada: "Sabe, eu poderia fazer Tony esquecer da homossexualidade dele se o levasse para a cama".


4. Incesto

Fotografia de Anthony Baekeland / Crédito: Creative Commons

 

Na mesma época, seu casamento com Brooks não ia bem, já que o homem passou a se relacionar com aquela que Barbara gostaria que fosse a namorada do filho, Sylvie. O casal se separou e a modelo foi morar com Anthony na Espanha.

No ano de 1969, a mulher colocou seu terrível plano em prática e teria seduzido o próprio filho, fazendo com que o menino ficasse bêbado para ter relações sexuais com ela. Barbara ainda teria se gabado do feito com amigos próximos.

Obviamente, a teoria de que o menino se tornaria heterossexual não funcionou, na verdade, desencadeou problemas sérios em Tony, que rapidamente viu sua saúde mental entrar em declínio. Em episódios de paranoia e raiva, o jovem foi diagnosticado com esquizofrenia.


5. Mortes

Desde então, o jovem passou a ameaçar sua progenitora de morte, Barbara chegou a ser alertada pelo próprio terapeuta de Tony que avisou para a modelo a pretensão de seu filho. Certa vez, ele atacou a mãe com uma faca de cozinha, mas, nessa ocasião ela saiu ilesa e não apresentou queixas.

Contudo, não demorou muito para que Anthony concluísse seu objetivo: algumas semanas depois da primeira tentativa, o jovem Baekeland esfaqueou a mãe no coração, em 17 de novembro de 1972, na luxuosa cobertura onde eles moravam.

Em decorrência do crime, ele foi levado para um hospital psiquiátrico e só foi libertado anos depois, em 21 de julho de 1980, com a ajuda da influência e status financeiro de sua família. Foi aí que Tony passou a morar com sua avó em Nova York, porém, ele definitivamente não estava recuperado e tentou matar a senhora, que conseguiu sobreviver ao esfaqueamento. O jovem foi preso por tentativa de assassinato.

Em 20 de março de 1981, ele compareceu à corte para o julgamento, no mesmo dia, Anthony Baekeland tirou a própria vida e foi encontrado morto em sua cela com um saco plástico preso em sua cabeça, quando tinha somente 34 anos de idade.


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