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Mick Meaney: o homem que viveu dois meses em um caixão

Em 1968, um homem irlandês, em busca de fama, decidiu ser enterrado vivo com uma estrutura que contava até mesmo com ventilação

Giovanna de Matteo Publicado em 15/10/2020, às 13h01

Mick Meaney sai do caixão depois de 61 dias enterrado vivo
Mick Meaney sai do caixão depois de 61 dias enterrado vivo - Divulgação/Peter Kemp

Foi em Mitchelstown, no condado de Cork, quando um homem chamado Mick Meaney decidiu ser enterrado vivo. O objetivo dele era quebrar o recorde mundial de 45 dias enterrado no subsolo.

Ele tinha apenas 33 anos na época e hoje em dia é reconhecido como uma espécie de lenda em sua cidade local: Maney estava sempre em busca de fama e realização. Depois de ter passado 61 dias enterrado vivo ele alcançou o que tanto almejava, seus 15 minutos de atenção global.

Sua aventura épica começou em Londres no ano de 1968. Focado em seu objetivo, ele foi atrás do homem que poderia fazer seu evento acontecer, Butty Sugrue. Na época, ser enterrado vivo estava "na moda", e foi através desse costume que largou o sonho de ser boxeador profissional.

No início de 68, o recorde estava nas mãos do americano Digger O'Dell, que havia sobrevivido 45 dias enterrado. No entanto, a ideia de superá-lo não veio só de Meaney: Corkman Tim Hayes e o cantor country texano Bill White também tinham seus próprios planos.

Sabendo disso, Sugrue planejou nos mínimos detalhes o caixão do irlandês, que seria enterrado no quintal de Mick Keane, que acompanhou e registrou cenas incríveis durante todo o processo.

Meaney sabia que precisava se preparar para o desafio. Alguns anos antes ele já teria experimentado ser enterrado vivo, após um acidente de trabalho. Desse modo, ele focou em treinar sua mente para ficar calma e quieta contra o pânico que poderia sentir ao estar a muitos palmos do chão. Além da mente, seu físico também necessitava de atenção especial para a tarefa.

De acordo com o Irsh Post, durante três semanas, ele liderou um ritmo de exercícios no pub Admiral Lord Nelson em um caixão enorme. Também adquiriu uma dieta que consistia em bifes e cigarros.

Finalmente, em 21 de fevereiro de 1968, ele teve sua última refeição normal, enquanto os jornalistas corriam para buscar as últimas informações sobre o irlandês que decidiu embarcar na aventura, ou seja, toda a fama que desejava.

Naquela noite, ele foi colocado na parte de trás do caminhão de Mick Keane, que o levou até a área já preparada com um buraco de dois metros. Enquanto seu "enterro" era preparado, um famoso tenor irlandês, Jack Doyle, o homenageava do lado de fora ao cantar algumas canções.

Mick é levado para ser enterrado/Divulgação/Peter Kemp

 

Ao mesmo tempo, nos EUA, Bill White também competia o mesmo recorde, sendo enterrado vivo no mesmo dia que Mick Meaney. Esse fato chamou a atenção da mídia mundial, que acompanhou a corrida minuciosamente, torcendo para ver quem resistiria mais ao sufoco do subsolo.

O caixão de Meaney contava com características especiais: dois canos altos saíam de sua madeira até a superfície - um para comida e outro que servia para ventilação e conversa. Sua rotina era simples, apesar de estranha. Ele acordava às 7h, fazia alguns 'exercícios' dentro do caixão, incluindo semi-flexões, e usava óleo lubrificante nos músculos, para evitar o endurecimento de suas articulações. 

Depois ele recebia seu café da manhã e lia o jornal ou um livro sobre boxe. Ao longo do dia ele também recebia diversas visitas de pessoas que conversavam através do cano. Durante todo o tempo que ficou lá, declarou que o calor foi a coisa mais difícil de suportar.

Como ele ia ao banheiro ainda envolve alguns mistérios, pois nunca foram revelados detalhes sobre isso. A única coisa que se sabe é que para se aliviar ele usaria uma escotilha, que estava em algum lugar do caixão. 

Apesar da fama, o episódio rendeu algumas críticas. Primeiro de sua esposa, que ficou sabendo do acontecimento através do rádio. Parece que o marido escondeu seu plano e o executou antes que ela o proibisse. Mas, depois de digerir a situação, ela aceitou.

Em segundo, embora Londres estivesse eufórica com o caso, algumas preocupações foram citadas na Câmara dos Comuns, e condenadas: ser enterrado no mundo dos mortos foi considerado pela sociedade conservadora e católica irlandesa como um afronte à Deus.

Mas, parece que no final, tudo saiu bem. Seu adversário americano saiu do caixão quando completou 45 dias enterrado. Já o irlandês, só saiu em 22 de abril.

Mick Meaney bate recorde de mais dias enterrado vivo /Divulgação/Peter Kemp

 

No dia que decidiu que seu tempo no subterrâneo havia acabado, a mídia, dançarinos irlandeses e outros artistas se reuniram para festejar. Diana Dors o visitou para tirar uma foto, e o ícone do boxe Joe Louis atravessou o Atlântico para trocar ideias. Henry Cooper também teria aparecido anteriormente para visitar o túmulo.


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