A vila mas rica do Brasil

A vila mas rica do Brasil

Reportagem Leandro Narloch Publicado em 01/04/2007, às 00h00 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

Aventuras na História
Aventuras na História - Arquivo Aventuras

Em 1700, Portugal tinha 1,7 milhão de habitantes. Quarenta anos depois, 600 mil desses moradores tinham se mudado para o Brasil, e a maioria deles foi para Minas Gerais. É gente para caramba. Entre 1500 e 1740, só 300 mil portugueses tinham se arriscado a atravessar o oceano Atlântico. Agora, pela primeira vez, estávamos recebendo gente comum, e não só escravos e senhores milionários. Tudo por causa do ouro, que tinha sido descoberto anos antes. Vila Rica era a cidade mais rica e importante do interior. Rica mesmo. Podia faltar comida, mas todo mundo usava botões de ouro nas roupas velhas.

Conversa fiada

Antes de tantos europeus chegarem, era normal que a língua falada no interior fosse uma mistura de tupi e português. Depois que essa leva de gente se instalou em Minas, só era respeitado quem falasse português certinho.

A força da fé

Não foram os ricos que organizaram as procissões religiosas e construíram as maiores igrejas da cidade. Foram as irmandades, formadas por pessoas pobres que se reuniam para adorar o santo predileto.

Acerto de contas

O ouro só podia ser vendido em forma de barras, feitas nas Casas de Fundição. Antes de tirar sua parte, o cidadão tinha que deixar 20% para Portugal. Para escapar do imposto, os mineradores faziam jóias e botões de ouro.

Compra e venda

A grana do interior acelerou a economia brasileira. O povo do Norte vendia gado para Minas, e do Sul vieram as transportadoras das riquezas. Em Vila Rica, ferreiros, alfaiates e sapateiros ficaram ricos porque cobravam caro pelo serviço.

Intelectuais

Nessa época surgiram os primeiros documentos impressos do país. Eram cartas e poesias contra o governo. Foi assim que começaram os primeiros movimentos pela abolição da escravidão e pela independência do Brasil.

Casa reforçada

Antes, todas as construções da região eram feitas de taipa. Depois, começaram a ser construídas com pedra-sabão.

Poluição

Com o crescimento de Vila Rica, surgiram ruas pavimentadas. Mas só a Câmara e a Casa da Baronesa (batizada assim depois) tinham esgoto. No resto da cidade, os despejos eram recolhidos pelos escravos nos chamados “tonéis de bosta”.

Negras ricas

Muitas escravas compraram a liberdade vendendo cocadas e frutas. Em 1750, a carta de alforria custava 150 mil réis, um pouco mais que uma casa simples, que saía por 120 mil.