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Coronavírus já circulava na Itália antes da pandemia estourar na China, aponta estudo

Segundo pesquisa do Instituto Nacional do Câncer de Milão e da Universidade de Siena, pacientes já apresentavam anticorpos para neutralizar o vírus em outubro de 2019

Fabio Previdelli Publicado em 17/11/2020, às 11h00

Representação artística de novo coronavírus.
Representação artística de novo coronavírus. - Pixabay

De acordo com um artigo publicado na revista científica Tumori Journal, produzido pelo Instituto Nacional do Câncer (INT), na cidade italiana de Milão, o SARS-Cov-2 — causador da atual pandemia de Covid-19 — já circulava no país em setembro de 2019, antes do surto explodir na cidade chinesa de Wuhan, em dezembro.  

Na Itália, o primeiro caso oficial foi relatado em 21 de fevereiro desse ano, em uma cidade pequena perto de Milão, na região da Lombardia. Porém, as descobertas dos pesquisadores mostram que 959 voluntários saudáveis, ou 11,6%, que foram inscritos em um teste de rastreamento de câncer de pulmão, entre setembro de 2019 e março de 2020, já apresentavam anticorpos para o vírus bem antes de fevereiro.  

Outro teste em anticorpos da Covid-19 também foi realizado pela Universidade de Siena. Intitulado de "Detecção inesperada de anticorpos SARS-CoV-2 no período pré-pandêmico na Itália", o estudo apontou que quatro casos na primeira semana de outubro de 2019 já testaram positivo para os anticorpos que neutralizam o coronavírus. Isso significa que eles foram infectados ainda em setembro, explicou à Reuters o co-autor do estudo, Giovanni Apolone.  

"Esta é a principal descoberta: as pessoas sem sintomas não só foram positivas após os testes sorológicos, mas também tinham anticorpos capazes de matar o vírus", explicou. A fala foi repercutida de G1. “Isso significa que o novo coronavírus pode circular entre a população por muito tempo e com baixo índice de letalidade não porque esteja desaparecendo, mas para ter uma nova onda”.