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Covid-19: mortalidade de gestantes é mais que o dobro da média no Brasil

Segundo dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), as gestantes e puérperas registram taxa de letalidade de 7,2%

Vladimir Platonow - Agência Brasil Publicado em 05/06/2021, às 10h30

Imagem meramente ilustrativa de mulher grávida
Imagem meramente ilustrativa de mulher grávida - Divulgação/Pixabay

Na sexta-feira, 04, o último Boletim do Observatório Covid-19, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgou um dado alarmante sobre a pandemia. Segundo órgão, gestantes e puérperas (mulheres que tiveram filhos há até 45 dias) registram uma taxa de letalidade de 7,2%, mais que o dobro da taxa atual de letalidade do Brasil, que é de 2,8%.

Segundo o boletim, um estudo sobre a pandemia nas Américas, publicado em maio pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), verificou que, entre janeiro e abril deste ano, houve um aumento relevante de casos em gestantes e puérperas, e de óbitos maternos por covid-19 em 12 países.

Os especialistas envolvidos na pesquisa, então, alertam que o quadro da doença em gestantes pode evoluir para formas graves da covid-19, com descompensação respiratória, em especial, aquelas que estão em torno de 32 ou 33 semanas de gestação. Em muitos casos, segundo os cientistas, há necessidade de antecipar o parto.

Esse quadro aumenta a preocupação em relação à disponibilidade de leitos de UTI adulto para essas mulheres e de leitos de UTI neonatal para os recém-nascidos, que podem ser prematuros. Os pesquisadores alertam que ambos precisam de cuidados especializados e imediatos. A partir de 2020, serão publicados artigos sobre a morte de gestantes e puérperas por covid-19 no Brasil, alertando para a necessidade de preparação e organização de toda a rede de atenção em saúde.

De acordo com o Observatório Obstétrico Brasileiro Covid-19, os óbitos maternos em 2021 superaram o número notificado em 2020. No ano de 2020, foram 544 óbitos em gestantes e puérperas por covid-19 no país, com média semanal de 12,1 óbitos, considerando que uma pandemia se estendeu por 45 semanas epidemiológicas nesse ano. Até 26 de maio de 2021, transcorridas 20 semanas epidemiológicas, foram registrados 911 óbitos, com média semanal de 47,9 óbitos.