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Especialistas da Fiocruz alertam sobre cenário de uma terceira onda da Covid-19 no Brasil

Segundo os especialistas, uma terceira onde de infecções no país "pode representar uma crise sanitária ainda mais grave". Entenda a situação!

Fabio Previdelli Publicado em 15/05/2021, às 12h47

Imagem meramente ilustrativa
Imagem meramente ilustrativa - Pixabay

Segundo mostra boletim do Observatório Covid-19 da Fiocruz, divulgado última quinta-feira, 13, o Brasil registrou uma “ligeira redução” no número de mortes em decorrência do novo coronavírus no período das duas últimas semanas. 

Mesmo assim, a incidência de casos ainda mantém uma taxa alta, assim como acontece com o diagnóstico de casos positivos, o que preocupa. O levantamento da Fiocruz mostra que entre a semana de 2 e 8 de maio a taxa de ocupação de leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTI) destinados a tratar de pacientes com o novo coronavírus diminuiu em grande parte dos estados.  

Porém, segundo os agravantes levantados acima, os pesquisadores disseram que ainda existe uma grande circulação do vírus pelo país, como relata boletim da instituição. "A pandemia pode permanecer em níveis críticos ao longo das próximas semanas, além de dar oportunidade para o surgimento de novas variantes do vírus devido à intensidade da transmissão". 

Ao O Globo, o sanitarista da Fiocruz Christovam Barcellos comentou sobre a situação do país. “O número de casos continua estável e o índice de positividade dos testes muito alto: isso significa que tem muita gente se infectando e isso pode produzir casos graves. Esses são os indicadores mais precoces, que mostram que o vírus continua circulando com muita intensidade, e esse pode permanecer como um novo platô”. 

Mesmo com a redução do número de mortes, os especialistas alertam sobre os perigos de uma terceira onda de infecções, algo que pode ocorrer caso os cuidados não sejam mantidos. "Uma terceira onda agora, com taxas ainda tão elevadas, pode representar uma crise sanitária ainda mais grave". 

Coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI) até outubro de 2019, a epidemiologista Carla Domingues diz que o contágio do novo coronavírus acontece em ciclos, e que uma nova onda de infecções pode acontecer se as medidas sanitárias não forem mantidas, assim como a continuidade dos programas de vacinação. 

“Por enquanto, ainda não vemos na população geral o impacto da vacinação, só nos idosos. Vamos entrar no inverno e temos que lembrar que os picos na Europa e nos EUA começaram nessa estação. Podemos ter uma terceira onda, e se a gente não conseguir acelerar a vacinação, vamos ter uma situação mais grave, porque ainda estamos em um nível muito elevado”, diz ao O Globo. 

Para que os efeitos de uma estação mais fria fossem sentidos com menos preocupação pela população, Domingues diz que o país, ao menos, deveria ter vacinado toda a população idosa e as pessoas no grupo de comorbidades.  

Sobre a Covid-19

De acordo com as últimas informações divulgadas pelos órgãos de saúde, atualmente, o Brasil registra 15,5 milhões de pessoas infectadas, e as mortes em decorrência da doença já chegam em 433 mil no país.  

Em 1º de dezembro de 2019, o primeiro paciente apresentava sintomas do novo coronavírus em Wuhan, epicentro da doença na China, apontou um estudo publicado na revista científica The Lancet em fevereiro deste ano.  

De lá pra cá, a doença já infectou 162 milhões de pessoas ao redor do mundo, totalizando mais de 3,36 milhões de mortes.