Coronavírus » Pandemia

No Reino Unido, cães estão sendo treinados para sentirem o cheiro da Covid-19 em infectados assintomáticos

Com isso, pessoas que contraíram o novo coronavírus começarão a ser rastreadas mais rapidamente, o que impedirá a proliferação da doença

Fabio Previdelli Publicado em 23/06/2020, às 11h20

Foto ilustrativa de um Cocker Spaniel
Foto ilustrativa de um Cocker Spaniel - Pixabay

Os cachorros tem um olfato entre 10.000 e 100.000 vezes melhor que o de qualquer ser humano médio. É justamente dessa habilidade canina que pesquisadores do Reino Unido tentam aproveitar para combater o novo coronavírus.

Um grupo de cientistas está treinando os animais para que eles sejam capazes de reconhecer o “cheiro” da Covid-19. Mas como isso é possível?

Estudos anteriores já comprovaram que doenças possuem cheiros específicos. A febre amarela, por exemplo, cheira a carne crua. Já a tuberculose, possui um odor semelhante ao de uma cerveja velha, mas que com o tempo fica semelhante ao da salmoura.

Asher durante treinamento / Crédito: Divulgação/ Medical Detection Dogs

 

"Poderíamos detectar uma colher de açúcar em uma xícara de chá, mas um cachorro poderia detectar uma colher de açúcar em duas piscinas olímpicas. É nesse nível", explica James Logan, chefe do departamento de controle de doenças da Escola de Higiene de Londres e Medicina Tropical, em entrevista ao The Guardian.

Toda essa história começou com a Cocker Spaniel Asher, que chegou na Medical Detection Dogs (Cães de Detecção Médica) após passar por diversos lares e não conseguir se adaptar por ser hiperativa. Assim, a Dra. Claire Guest viu nela um potencial para ser um “detector de cheiros”.

Ao lado de Logan, eles começaram a treiná-la para reconhecer as pessoas que tinham contraído a Malária. Porém, como a Covid-19 chegou com força, os planos foram alterados e Asher passou a ser treinada para sentir o cheiro do novo coronavírus.

Atualmente, o projeto ainda está em fase de coletas de amostras. "Terminamos com um número muito alto de amostras de pessoas não infectadas e um grupo menor de amostras de pessoas infectadas", explica Logan. “E tudo bem. Porque, na verdade, precisamos de um alto número de amostragem. Precisamos de uma quantidade para os cães ignorarem.”

Neste momento, além de Asher, outros cinco cães de bio-detecção — Cocker Spaniels e labradores — estão sendo treinados. Os exercícios caninos são semelhantes aos realizados para a detecção de drogas e explosivos em aeroportos.

"Se você tem um avião com 500 pessoas saindo, 10% pode ser assintomático ou pré-sintomático", diz Claire. “O cachorro pode dizer rapidamente: 'Você, você, você'. É um cheiro de 0,5 segundo. O cachorro não tomará a decisão final. A pessoa fará um teste. Mas, no momento, não há outra maneira de rastrear rapidamente pessoas como essa, especialmente assintomáticas”.