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Alan Magee: a saga do soldado que sobreviveu a uma queda de 6.700 metros na Segunda Guerra

O homem resolveu entrar no conflito depois do ataque de Pearl Harbor, e depois disso sua vida nunca mais foi a mesma

Caio Tortamano Publicado em 08/07/2020, às 16h50

Fotografia de Alan Magee em torreta idêntica a qual ele atirava
Fotografia de Alan Magee em torreta idêntica a qual ele atirava - Domínio Público

Nascido em 1919, Alan Magee era jovem quando os japoneses atacaram a base americana de Pearl Harbor, dando início a participação direta dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial. Nesse momento, ele sabia que o seu lugar era lutando pelo seu país.

Alistando-se para a as Forças Aéreas do Exército dos Estados Unidos, Magee começou seu treinamento e logo foi para o campo de batalha como um artilheiro de torreta oval — basicamente uma metralhadora de grande potência que era transportada no avião.

Acidente

Em sua sétima missão, Alan teria que ir com sua companhia até Saint-Nazaire, na França, para uma missão de bombardeamento, já que aquela região havia sido conquistada pelos alemães no curso do conflito. O caminho não foi nada tranquilo, e a aeronave foi atingida por um veículo inimigo, obrigando o americano a sair de seu posto na artilharia.

Para isso, ele teria que abrir seu paraquedas e saltar do avião — ainda em movimento. No entanto, após pegar a mochila que continha o equipamento percebeu que ele estava rasgado. Como consequência, era inútil. Enquanto isso eles continuavam na mira dos alemães, que acertaram a asa direita do avião americano, que começou a cair em espiral.

Tentando se desvencilhar da pequena redoma que o protegia em direção ao resto da tripulação, Alan acabou desmaiando pela falta de oxigênio que o ambiente carecia. Por sorte, o soldado foi arremessado para fora da aeronave em direção ao céu noturno da França.

Um grande milagre

A frase anterior pode parecer estranha, mas depois de ser lançado para fora do avião, Magee foi de encontro com o teto de vidro da estação de trem de Saint-Nazare. A cobertura acabou suavizando a queda de 6.700 metros de altura depois de ter quebrado completamente. 

Socorristas alemães encontraram Alan pouco depois, entre as vigas de sustentação do teto de vidro, já todo estilhaçado, o levando como prisioneiro de guerra e sendo cuidado pelos captores.

Os ferimentos mais perceptíveis em seu corpo foram causados pela artilharia alemã, com 28 feridas por conta das munições do avião que os atacou. Além disso, a queda resultou em alguns ossos quebrados, principalmente os de sua perna e o tornozelo.

Um grande ferimento afetou o seu braço direito, o deixando numa situação bem feia. Fora isso recebeu danos severos no nariz e olho, além de ter machucado o pulmão e o rim. Magee conta que o médico alemão que o socorreu tentou tranquilizar no momento do acidente: “Nós somos inimigos, mas em primeiro lugar sou um médico, e vou fazer o possível para cuidar de você.”

Ao final da guerra, por volta de maio de 1945, Magee foi liberado do campo de prisioneiros em que estava. Sua história se popularizou, e foi oficializada depois de averiguações feitas pelos próprios alemães.

Com tudo isso, o combatente acabou recebendo uma medalha aérea por honra ao mérito, e uma condecoração chamada de Coração Roxo, dada para aqueles que foram feridos ou mortos durante uma batalha.

Legado

Nem mesmo o acidente fez com que Alan tivesse medo de altura. Assim, depois de voltar aos Estados Unidos conseguiu uma licença de piloto de avião e fez disso sua vida. Trabalhou até 1979 na indústria de aviação em diferentes funções.

Em 1995, 50 anos depois do episódio, Magee foi convidado pelo governo francês à participar de uma celebração de agradecimento dos cidadãos franceses pelo apoio dos soldados Aliados. Com isso, foi possível visitar o memorial erguido em homenagem sua homenagem e também a seus colegas de guerra na estação ferroviária de Saint-Nazaire. O militar faleceu em 2003, aos 84 anos, em sua casa no Texas, após um AVC e falência dos rins.


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