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De Hollywood à realeza: a conturbada vida de Grace Kelly, que se tornou princesa de Mônaco

A atriz, que casou-se com um príncipe europeu, foi obrigada a desistir de seus maiores sonhos e teve um trágico fim

Caio Tortamano Publicado em 13/04/2020, às 08h00

Grace Kelly, atriz e princesa
Grace Kelly, atriz e princesa - Getty Images

Assistir um casamento real pela televisão é muito comum atualmente se tratando da família real britânica. Porém, o maior casamento real televisionado para todo o mundo comoveu 30 milhões de pessoas e tratava da união do príncipe de Mônaco e uma das mais famosas atrizes de sua época, Grace Kelly.

Grace Patricia Kelly, filha do lendário atleta de remo John B. Kelly, nasceu em 12 de novembro de 1929, na Filadélfia. Sua mãe, Margaret Katherine Majer, trabavalhava como  professora de educação física e foi a primeira mulher a treinar atletismo feminino na Universidade da Pensilvânia.

Aos 12 anos, Kelly foi protagonista de uma peça em sua cidade natal. Em seu anuário escolar ela listou sua atriz e atores favoritos, Ingrid Bergman e Joseph Cotten, respectivamente.

Embora se desse muito bem atuando e dançando, era uma negação em matemática, fato que não permitiu que ela ingressasse na Universidade de Artes de Bennington.

Por mais que ela amasse atuar, seus pais não apoiavam muito a ideia. Com ajuda de seu tio, George Kelly, que era diretor de cinema, conseguiu uma audição para a Academia Americana de Artes Dramáticas em Nova York, e acabou sendo aceita.

Grace Kelly / Crédito: Wikimedia Commons

 

Com isso, aos 19 anos, fez sua estreia na Broadway e conquistou os olhares do produtor televisivo Delbert Mann, que a escalou para uma adaptação de um programa ao vivo na televisão. Seus trabalhos em diferentes peças fez com que fosse considerada por uma revista da época como a maior promessa do teatro.

Toda essa notoriedade fez com que fosse escalada para fazer filmes. Aos 23 anos, estreou o seu primeiro longa, High Noon, um clássico do faroeste em que vivia uma Quaker casada com o protagonista, na pele de Gary Cooper.

Por mais que o filme tenha sido um sucesso, a atuação de Kelly não foi tão elogiada quanto o filme. Por isso, depois das filmagens ela se dirigiu para Nova York, a fim de ter aulas particulares de atuação e passar a ser respeitada como a grande atriz que viria a ser.

Em 1952, ela conseguiu um contrato com a Metro-Goldwyn-Mayer para produzir filmes  durante sete anos com o salário de 850 dólares por semana.

Ao fim do mesmo ano, Kelly foi enviada para atuar no filme Mogambo, filmado em Nairóbi, capital do Quênia, o filme foi um sucesso absoluto e rendeu à Grace duas indicações como melhor atriz coadjuvante tanto no Globo de Ouro como no Oscar.

Elenco do filme Mogambo / Crédito: Wikimedia Commons

 

O lendário diretor de cinema, Alfred Hitchcock, foi um grande admirador da estrela, e a convidou para estrelar o clássico Disque M Para Matar (1954). Depois do sucesso da obra cinematográfica, ela ainda atuou nos filmes Ladrão de Casaca (1955) e Janela Indiscreta (1954), ambos de Hitchcock.

Esse último alavancou ainda mais a importante carreira de Kelly. Em Janela Indiscreta (1954), a atriz interpretou a sofisticada socialite Lisa Fremont. Era a primeira vez que Grace interpretava uma mulher de carreira independente. A atuação foi louvada pela mídia.

Todo o sucesso fez com que a atriz exigisse  um aumento do salário, que fosse condizente com o sucesso que estava fazendo no momento. Além disso, pediu uma brecha em seu contrato para a produtora Paramount para protagonizar o filme Amar é Sofrer (1954) de George Seaton, que ela já havia feito nos teatros da Broadway.

Com esse trabalho, Grace Kelly foi finalmente agraciada com o Oscar de Melhor Atriz de 1955, e conquistou também o New York Film Critics Circle, em 1954, por seu papel tanto nesse filme como em Janela Indiscreta e Disque M Para Matar. 

Vida de princesa

Em 1955, quando foi representar os Estados Unidos no Festival de Cannes, Grace foi convidada a participar de uma sessão de fotos com o Príncipe Rainier III, no principado de Mônaco que ficava a 55 km de Cannes.

Mesmo depois de uma relutância da atriz, causada pela agenda conturbada, ela atendeu ao pedido real e foi ao Palácio de Mônaco. Depois de se relacionarem por cerca de um ano, o príncipe e a atriz casaram em 1956, tendo duas cerimônias necessárias para atender as religiões diferentes dos noivos.

O casamento católico (por parte de Kelly) foi realizada na Catedral de São Nicolas em Mônaco. Estima-se que o evento foi assistido por, pelo menos, 30 milhões de pessoas.

Casamento entre o Príncipe Reinier III e a Princesa Grace Kelly / Crédito: Getty Images

 

O vestido de casamento da então princesa demorou seis semanas para ser feito, por 36 pessoas ajudando na confecção do mesmo. Os dois tiveram três filhos, Caroline, Albert (atualmente príncipe de Mônaco) e Stéphanie.

Por mais que ela ainda amasse atuar, a realeza privou Grace de sua vida agitada em Hollywood. Hitchcock a convidou para estrelar o filme Marine – Confissões de uma ladra, em que ela viveria uma cleptomaníaca — o que desagradou a população.

O diretor Herbert Ross ofereceu para Kelly um papel no filme A Grande Decisão, de 1977. Dessa vez, Rainier não aprovou a ideia, e novamente a atriz recusou mais um papel que era de seu interesse.

Em 1977, ela aceitou um trabalho menor para narrar um documentário sobre meninas bailarinas e um filme para televisão que fala a respeito do ópio. A princesa e seu marido trabalharam juntos em um curta independente de 33 minutos, que mais tarde teria sido oferecido para a o canal ABC e seria exibido como uma versão estendida de uma hora.

Em setembro de 1982, enquanto dirigia seu carro pelas belas paisagens noturnas do principado, Grace Kelly teve um acidente vascular cerebral e perdeu controle automóvel, caindo de uma montanha de 37 metros.

A sua filha, Stéphanie, estava no carro no momento do acidente e tentou tomar o controle do carro. Era tarde demais. A Princesa Kelly foi levada para o hospital de Mônaco (que mais tarde viria a ser nomeado de Centro Hospitalar Princesa Grace) com danos no cérebro e tórax e fraturas no fêmur.

A atriz foi atendida rapidamente, mas acabou entrando em coma. Morreu no dia seguinte após o Príncipe Reinier ter solicitado o desligamento dos aparelhos que permitiam o seu estado vegetativo.

O funeral foi marcante e fechado para o público. Nomes como a Princesa Diana (que morreria anos mais tarde, também por um acidente de carro), Cary Grant, Nancy Reagan e a Imperatriz Farah do Irã foram a cerimônia.

Kelly, até hoje, é considerada uma das mais elegantes mulheres da história do cinema mundial. Enquanto princesa, desempenhou diversos papéis filantrópicos ajudando organizações não governamentais e fundando a sua própria, a AMADE Mondiale, que protege crianças ao redor do mundo.


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