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Qual a diferença entre liberalismo e neoliberalismo?

Os contextos econômicos capitalistas regem o mundo globalizado em que vivemos, mas você sabe como essas políticas surgiram?

Giovanna de Matteo Publicado em 25/11/2020, às 09h42

Fotos de Getúlio Vargas e Margaret Thatcher
Fotos de Getúlio Vargas e Margaret Thatcher - Wikimedia Commons
Você sabe o que é Liberalismo? e o Neoliberalismo? É muito comum ouvirmos tais termos durante discussões com os amigos, com a família ou em sala de aula, e não sabermos do que se trata. 
 
No entanto, essas políticas econômicas moldaram o mundo em que vivemos, e saber seus contextos e suas histórias é extremamente importante para entendermos como chegamos ao momento atual.
 
Sabendo disso, o Aventuras na História preparou um guia básico para entender as duas políticas econômicas que até então nortearam o sistema capitalista global. Confira abaixo as diferenças das políticas liberais e neoliberais para nunca mais errar.
 
Liberalismo
 
No início da Idade Moderna, a França e a Inglaterra, grandes centros do globo daquela época, assumem uma posição absolutista. Isso significa que eles ficam sendo liderados por políticas absolutistas, cuja as características principais são: o poder centralizado na figura do rei, um estado forte como o que chamamos de "capitalismo primitivo", e uma sociedade estamental dividida entre o clero, a nobreza, e o povo, que na maioria das vezes é definidas a partir do seu nascimento, com possibilidades quase nulas de ascensão social.
 
Adam Smith / Wikimedia Commons
 
No entanto, com o tempo ideias contrárias ao absolutismo começam a surgir entre os filósofos da época, que almejavam uma necessidade de mudança nas sociedades. Eles começam então a pregar o iluminismo, uma nova corrente de pensamento nascida no século 18, que consiste na valorização da razão e da ciência sobre as tradições ou religiões, na luta contra a interferência estatal, contra o mercantilismo, na igualdade perante a lei, e na defesa das liberdades individuais
 
Sendo assim, os chamados iluministas são aquele que primeiramente enfrentam o sistema do Antigo Regime, tornando-se uma ameaça ao clero e ao rei. Dentro desse movimento grandes nomes de figuras históricas começam a surgir, entre eles, Adam Smith, o pensador que vai organizar o que chamamos de liberalismo, defendendo a liberdade econômica. 
 
A sua teoria econômica é criada a partir de princípios liberais iluministas. Para Smith, a economia seria liderada por uma "mão invísivel do mercado", que regularia sozinha as ações mercantis, as compras e vendas, e a estabilidade do país, sem a ajuda do estado, que seriam regidas pelas leis de oferta e demanda.
 
Desse modo, o mundo liberalista ideal tem a mínima participação do estado, além do reconhecimento da propriedade privada e o promoção da mobilidade social, ou seja, a possibilidade de se tornar rico ou pobre perante as suas ações individuais, e não pela definição do rei ou do seu nascimento. Nesse caso, o que define o seu status social é o quanto de dinheiro cada um fará por conta própria.
 
Politicamente o liberalismo também defende que os poderes do estado sejam descentralizados, criando então a divisão dos poderes entre legislativo, executivo e judiciário.
 
Com a derrubada do poder absolutista na Europa, o liberalismo econômico se torna uma das doutrinas políticas e econômicas fundamentais do estado moderno, sendo o padrão guiado pelo capitalismo difundido no mundo por muito tempo.
 
Com o passar do tempo, as políticas liberais não se mostraram tão eficazes quanto Smith planejou. A ascensão social continuou sendo, na maioria das vezes, possível apenas para aqueles que já tinham algum privilégio, já que não foi garantido para todos os cidadãos direitos civis básicos como o direito a emprego assalariado, à participação política, renda, moradia, ou herança familiar.
 
Desse modo, o liberalismo viu sua decadência em 1929, quando houve um episódio nos Estados Unidos que ficou conhecido como "A Grande Depressão". O evento marcou a quebra da bolsa de valores de Nova York, que teve por consequência a falência de milhares de pessoas, e a instabilidade do mercado.
 
Nesse caso, a "mão invísivel" não conseguiu segurar a crise, com isso, os países vão buscar outras formas de políticas econômicas que poderiam substituir o liberalismo, mas ainda assim estar de encontro com o capitalismo.
 
A solução encontrada para aquele momento foi o Keynesianismo, que propõe justamente o oposto da política anterior. A partir disso, o Estado precisou interferir na econômia, a partir de normas, impostos e investimentos estatais, assumindo então o papel de agente regulador da economia.
 
Essa política vai ser implantada em diversos países, sendo marcas de governos como o de Roosevelt, nos EUA, de Getúlio Vargas, no Brasil, e até mesmo de Hitler, na Alemanha Nazista.
 
Neoliberalismo
 
O Neoliberalismo, por sua vez, é um conjunto de ideias políticas que, a partir da década de 1970, no pós Segunda Guerra, e com o declínio da União Soviética, começou a substituir o intervencionismo estatal promovido pelo Keynesianismo.
 
Margareth Thatcher / Wikimedia Commons
 
 
Sendo liderado pela Escola de Chicago, essa nova corrente econômica se assemelha muito com o liberalismo, porém, algumas características os diferem. As suas principais particularidades são: a mínima participação estatal na econômia do país, podendo intervir somente em casos especiais, diferende das ideias de Smith, que defendia a abolição do estado nas questões esconômicas; desestatização, ou seja, privatização das empresas públicas, o que causaria a diminuição de impostos; abertura da economia para o mundo, promovendo o mercado globalizado e o crescimento de empresas multinacionais; ddoção de medidas contra o protecionismo econômico; e o aumento da indústria e da produção, assim como a propagação da cultura do consumo. 
 
Esses atributos vão ser as bases de diversos governos no mundo, entre eles, podemos mencionar: Ronald Reagan, nos EUA, Pinochet, no Chile, Margaret Thatcher, no Reino Unido, entre outros.

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